segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Anomalia

É estranho, como hoje, depois de tanto tempo sem escrever e postar, senti uma vontade louca de compartilhar esse meu início de dia com vocês, afinal ele foi incrivelmente simples e maravilhoso ao mesmo tempo.

Em primeiro o sol, o relógio, o tempo, curto tempo.
Mas o fato é que o sol já estava ali quando abri os olhos, brilhante pelas persianas que desesperavam-se sobre o efeito do vento quente que persistia adentrar por um pouco pedaço de janela aberta. Agosto, frio, chuva. E a pensar assim, confundi-me com tanto estranhamento climático. Dei um beijo no rosto insone e saí. A escada me fez pensar na possibilidade de não estar tão quente lá fora, e ser tudo ideia minha essa coisa de calor. Sorri ao abrir a porta. Peguei o fone, escutei "Beirut", combinou com a paisagem. Andando rumo à escola, aquelas 6 quadras nunca foram tão interessantes. Ir para o trabalho já fora, mas por outro caminho, não este. Eu sabia o que me esperava, mas não pensei, deixei-me descobrir outras coisas. Até a metade do percurso fiquei tão concentrada na música, que esqueci de olhar em volta. O fim seguido de silêncio me despertou. Então vi o homem da construção olhando enquanto eu arrumava a tiara no cabelo, andei uns passos e vi um senhor obeso sem camisa, uma anomalia do inverno, mas esse dia é todo uma anomalia, ele puxava uma mala, com uma criança de uns 3 anos sentada sobre ela, enquanto era levada, mas ele não me pareceu feliz, nem tão pouco triste, apenas estava lá. Pensei, 7 e meia da manhã e isso. Ergui a cabeça quando quase chegando na esquina da escola, um sobradinho, até que bem bonito, mas o sol fez questão de aparecer e foi o que percebi, iluminava todo o lugar, fazendo com que ficasse ainda mais intrigante meu começo de dia. Para baixo, uma pomba morta, vida, o sol e a morte, a pomba. Me perguntei se seria melhor se eu a visse voando, mas não, seria comum demais. Não me senti mal por ela, por que naquele instante morte e vida estavam tão próximos que minha reflexão foi além e não me surpreendi. Andei pela rua, já me esquecendo da pomba, entrei na escola pra começar a semana de trabalho, e desde então tudo foi normal, por isso a importância do momento relatado. Não foi normal.


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