sexta-feira, 30 de julho de 2010

O Paraíso de Lautrec


E lá estava ele, preso a uma cama de lençóis sujos e amarrotados, magro e pequeno, porém pequeno sempre fora. Tantas e tantas desventuras, que o ocorreram ainda jovem, ossos quebrados que o impossibilitaram de crescer. Tornou-se um homenzinho de pernas curtas, mas com certa destreza e talento artístico. Descobriu-se artista tão moço, que é provável que nem das fraldas tivesse saído, o pequeno Henri sabia que sua felicidade não estava no condado, aquilo que seu pai desejava tanto. Ele almejava a liberdade, uma total e inimaginável sensação de liberdade. Inimaginável? Não, ele bem imaginava. E lá, estirado naquela cama, em meio aos lençóis sujos e amarrotados, num quarto escuro e sombrio, localizado no beco mais grotesco daquela grande cidade iluminada, estava Henri, agora com trinta e seis anos, padecendo, padecendo, morrendo. Morria de quê? Sífilis e além de tudo embriagado. Embriagava-se não só do álcool que pouco se via nas garrafas, mas das lembranças, das muitas e muitas lembranças que de repente começavam a borbulhar em sua mente confusa. Lembrava-se do dia em que decidiu sair de casa, dia em que o anseio pelo mundo das descobertas foi maior que qualquer consideração que pudesse ter pelos seus familiares. Lembrava-se e exclamava: - E essa vida boêmia me encantou!
Encantou, sugou e matou, mas rendeu-lhe tantos prazeres. Estes sem duvida não foram poucos. Lembrava com fascínio das noites lindas e gloriosas de Paris, dos cabarés, da música, da dança, da sensualidade, das sinuosidades do corpo pequeno da preferida "amiga" de Toulouse. Tinha tantas, porém guardava preferência por aquela delicadeza de menina, num lindo corpo de mulher, cabelos longos e laranjados, olhos pequenos e sorriso largo. Ele a encontrou no Moulin Rouge, e dela não tirou mais os olhos. Lembrava-se dela, ali, febril e delirava: - Aquela pequena marota, dos olhos mais penetrantes e escuros que já vi... ah, aquela pequena! - Suspirou. E num instante um turbilhão de imagens embaçadas veio em mente e era como uma chaleira fervendo que iria explodir a qualquer momento. E as imagens, identificáveis, lembravam-no dos risos, dos aplausos, dos vestidos e do brilho, de todo aquele visual pariense, das eternas noites dos salões. Muitos foram os cartazes que Toulouse-Lautrec fizera para o Moulin Rouge e outros cabarés da cidade. Cartazes que divulgavam as apresentações das cantoras Yvette Guilbert e Jane Avril, da dançarina Louise Weber e outras tantas que contagiavam com seu talento as noites dos cabarés. Enquanto lembrava-se, delirava, e aos poucos ia se entregando, sentindo com intensidade o peso da vida que levou que o esmagava naquele instante. Perdendo a sanidade, perdendo a consciência, pouco conseguiu visualizar da cena que se prosseguia. Uma mulher adentrava naquele cubículo quarto, adentrava e corria ao seu encontro, enquanto o mesmo desfalecia. Logo não se viu mais nada. Uma mulher? Sim, sua mãe. A mãe a quem havia deixado algum tempo atrás em busca de um paraíso desconhecido até então. Esta mãe, o levou consigo e esteve com ele até seu último suspiro. Em meio a delírios, ataques epiléticos, paralisias e sanidade momentânea, Henri pintava, desenhava e sobrevivia dia após dia em um sanatório de Paris. Doente demais para continuar ali, Henri de Toulouse-Lautrec despede-se de Paris e em 9 de Setembro de 1901, no Castelo de Malromé, morre nos braços da mesma mulher que o deu a vida. Perdeu-se o encanto? Afinal, ele encontrou seu paraíso? Acredito que sim, teve a vida que desejou, a liberdade que ansiou, e um fim dramático. Não poderia haver desfecho mais intrigante e ao mesmo tempo fabuloso, para uma pessoa que viveu a arte de forma tão intensa.


Observações importantes a serem feitas sobre o texto:
O texto é sem duvida baseado na biografia de Toulouse-Lautrec, porém muitas das informações foram expostas de forma um tanto quanto poética, pois o intuito não era obter um texto informativo, não, afinal é pra isso que temos a Wikipédia. A minha intenção foi transformar em conto aquilo que eu imaginei sobre a morte de Lautrec. Então o que há aí é uma narrativa imaginária do que eu penso ter sido a vida desse artista por quem eu tenho uma grande afinidade e tamanha paixão. Não a nada mais intenso do que a morte, e foi através da visualização de sua morte que procurei imaginar a sua vida.

Bom, é isso. Até!

Letícia Valéria

terça-feira, 27 de julho de 2010



Energia...Mulher...Amplexo.

Neste instante, sou hora

Qual tempo jogado fora

Sou mutante... Errante...

Personagem figurante

Contrita,pintada em tela

Sou céu, terra, água, ar e mar

Sou astro, sou universo

Sou o chão para se pisar

Sou asas vencendo o ar

A chama do pensamento

As cicatrizes do tempo

Estilhaço do passado, quimera

Sou final de primavera

Silhueta desenhada a giz

Eterna aluna, aprendiz

Sou o amanhecer...A sintonia

Sou versos em harmonia

Sou a natureza que clama

A seiva que se derrama

Em meio ao fogo nas florestas

Fujo buscando as arestas

Também sou o espelho e o reflexo

Energia...Mulher...Amplexo

Mariluxa

Imagem
Obra: O Fogo
Por: L.S.

sábado, 24 de julho de 2010

A princípio, várias reflexões.







Ei, estou em férias. E preciso adimitir que estou com um tempo razoavelmente grande para pensar e me perder em conflitos existencias dentro de mim. Faz exatamente uma semana que entrei em férias do trabalho. Uma semana importante, pois muita coisa, realmente muita coisa me passou pela cabeça. Além do sentimento nostálgico, resultado do último fim de semana. Questões sobre as minhas perspectivas, o que quero hoje, e amanhã, o que vai ser do tal do amanhã? Não nego, essas perguntas e pensamentos costumam me amendrontar, por que o futuro tende a ser tão incerto? Mas o que mais me questiono é o por que de a maioria das pessoas "viverem" por aí tão incertamente, preocupadas com coisas tão assustadoramente futéis, básicas, banais? Esses jovens então, preocupados com absolutamente nada, questionam a nada, sem ideais, planos de vida, não sabem o que querem do hoje, o que vão saber sobre o amanhã? Aí eu chego ao ápice do meu próprio interrogatório: E por que eles são assim? Por que todos somos assim, acomodados? Por que não lemos um livro quando temos vontade? Por que não pesquisamos um assunto quando vem a dúvida? É melhor a dúvida? Por que damos valores a grandes feitos e esperamos tantos dos outros, se nem nós mesmo superamos nossas espectativas? As pessoas pensam apenas em satisfações momentâneas, não que eu descorde da idéia de viver INTENSAMENTE os momentos. Mas o momento tem que ser Intenso, entende? A história de Amélie, em seu fabuloso destino de ajudar as pessoas e encontrar nessa realização a satisfação e o sentido de sua existência é o que me encanta. Me surpreende igualmente, a maneira com que ela sente as pequenas coisas, como mergulhar a mão e sentir a textura dos inúmeros grãos presentes no cesto, ou como jogar pedras num riacho pode ser emocionante. São esses sentimentos gostosos que a vida tem a nos oferecer e que não podemos perder por nada. É isso que eu desejo para mim e para vocês.