Certa vez amei um poeta.
Certa de que algum verso fora para mim.
Imaginar isso sempre foi um deletério,
e fiz de todo esse mistério, motivo pra continuar a amar assim.
A história fez-se em prosa, trecho, rima e poesia,
se fez bem mais do que eu queria,
ao passo que aconteceu.
E me entreguei,
sem palavra alguma.
Lancei-te o olhar que esperei sempre receber de ti,
E senti.
Vi
meu olho no teu, refletindo o negro-rubro,
Revelando toda malícia em carícias,
as delícias que correspondeu.
O que eu queria?
O que eu sabia?
Nada de mais.
Mas fingia com exímio desempenho de atriz,
que era sua, enfim, amada.
Sua musa adorada eu me fiz.