segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Regozijo




Exponho-me ao teu ser
Envolto em chamas
E aos gritos e sussurros
Me tomastes

Expresso em olhares
Obscenidades tais,
Murmúrios de desejos.
Incontrolável.

O colapso das minhas forças
Serram-me os punhos.
E presa em seus braços
Sinto o calor.

Sufoco

Queimo

Delírio Extremo.

Aperta-me mais
E cala meus gemidos,
Colam-se as bocas
E o corpo nu.

Cintura, braços, pernas
Enamoram-se e dançam eloqüentes
Ao som do palpitar acelerado
Do órgão muscular mestre.

Arrepios! Não minha querida
Já não são os arrepios que te tomam
Estes não sentes desde a tua
mais jovem mocidade.

Suspiros vagarosos
Porém contínuos
Confundem-se ao teu
Ofegar desesperado.

Risos e sorrisos
Diálogos profanos
Sacanagens e o suor.
Luxúrias deste anseio libertino.

Tuas mãos
Refúgio dos pequenos seios meus.
Impulsos internos
Voluptuosos movimentos

Marca-se a pele
O teu desejo me consome
E me tens agora e sempre neste instante
Tua pequena.

Extasiados, afundamo-nos
Por fim, em sonhos.
Adormecem os satisfeitos
Regozija o meu ser.

sábado, 23 de outubro de 2010

Aventurar-se, é o que há!


"Uma vez havia uma aldeia de criaturas no fundo do leito de um grande rio cristalino.
A corrente do rio passava silenciosamente, por cima de todos eles, jovens e velhos, ricos e pobres, bons e maus, a corrente seguindo o seu caminho, só conhecendo o seu próprio ser cristalino. Cada criatura, a seu modo, se agarrava fortemente às plantas e pedras do leito do rio, pois agarrar-se era o seu modo de vida, e resistir à corrente era o que cada um tinha aprendido desde que nascera. Mas uma das criaturas disse, por fim: 'Estou farto de me agarrar. Embora não possa ver com meus próprios olhos, espero que a corrente saiba para onde está indo. Vou soltar-me e deixar que ela me leve para onde quiser. Se me agarrar, morrerei de tédio.'
As outras criaturas riram-se e disseram: 'Louco! Se você se soltar, essa corrente que você adora o lançará despedaçado sobre as pedras e sua morte será mais rápida do que a causada pelo tédio!'
Mas aquele não lhes deu ouvidos e, respirando fundo, soltou-se, e imediatamente foi lançado e despedaçado pela corrente sobre as pedras! Mas com o tempo, como ele se recusasse a tornar a se agarrar, a corrente o levantou, livrando-o do fundo, e ele não se machucou nem se magoou mais. (...) 'O rio tem prazer em nos erguer à liberdade, se ousamos nos soltar. O nosso verdadeiro trabalho é essa viagem, essa aventura.'"

Trecho do livro "Ilusões: As aventuras de um Messias Indeciso", de Richard Bach.

Só.

domingo, 17 de outubro de 2010

Leticiolândia



Colorir,

Sonhos vãos, aprecio a liberdade e sonho.

O mundo todo meu em que crio as cores que eu bem entender.
As mais loucas misturas, cores inimagináveis, porém não pra mim.

Eu as vejo, eu as amo.

Amo-as todas, inteiras. Suas peculiaridades amo por completo.

Desejo que me enfeitem, cubram-me.
Desejo as minhas cores nas paredes dos salões do meu mundo inusitado.
Minhas criações me veneram.


Psicodelia? Por completo.
Eu sinto falta às vezes de ver aquela nuvem dando origem a um esbelto pelicano.
Pelicano? Rã? Ilusão!
Foi um sonho bom, uma belíssima ilusão.

Qual é o seu problema com as ilusões? Por acaso não sabe que tudo isso que você chama
de verdade não passa de projeções? Você ainda não percebeu nada e ri quando eu falo das minhas vontades.

Você sempre volta pra sua idéia besta, e deita-se acomodadamente gozando da sua "real" felicidade, enquanto eu me acabo em aquarelas, giz pastéis, e tintas velhas, abusando das cores que crio, expulsando de mim os sonhos vãos.